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terça-feira, 27 de março de 2018







                      Poesia na Semana  Santa
                               
                                     Cyro de Mattos

Uma Prece

Bomba a alvejar manso rebanho,
Fera branca que se achou Deus,
Cidade grande em galope amarelo,
Faces levando sede e fome,
Droga a matar a maravilha,
Sangue inocente de réu negro,
Lágrima extirpada de índio,
Mãos de metralha do menino,
Pai que apagou a luz do filho,
Mãe que não quis sentir a rosa,
Irmão que fugiu do outro irmão,
Rei que esqueceu a oração,
Veneno na água, chão e céu.
Cura-me, ó Deus de todos os perdões.




 Louvemos Baixinho


                 Para Manuel Bandeira,
                 em memória

Nasceu numas palhas
O nosso reizinho,
Os matos cheiravam,
O vento embalava.

A Virgem Maria
Sentia como doía
O destino humano
Do filho de Deus.

Quando for um homem
Com o nome de Jesus
De tanto nos amar
Irá morrer na cruz.

Louvemos no Natal
O nosso reizinho
Enquanto ele dorme
Como um cordeirinho.

  

Tudo É Mistério
                
                      Para  Antonio Carlos Vilaça,
                      em memória

Certa vez
Ele me disse
No Flamengo.

Tudo é mesmo
Um mistério.
Três em Um.

Ser, não ser
Oscilamos
Na questão.

Um, um, um
Fiat luz
Na voz de Um.

 Um, um, um,
Fria foice
Em cada um.

Na dúvida
Depositando
Tantos danos,

Há na morte
Um final
Que liberta.

Dor ou tédio
Derrota-se
No caixão.

O temor
De algo após
Que não sabe

Enlaça   
Esse ator
Fugitivo

Que no fardo
Do mistério
          Segue finito.

         Na contradição.  

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