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terça-feira, 22 de setembro de 2015



         O Relato de Os Ventos Gemedores
                              
                                        Fernando Py

            O escritor baiano Cyro de Mattos (Itabuna, 1939) é um nome consagrado. Contista, poeta, romancista, cronista e autor de livros para crianças e jovens. Participou de diversas antologias no Brasil e no exterior, recebeu diversos prêmios e pertence à Academia de Letras da Bahia. Temos em mãos agora seu romance Os ventos gemedores (Taubaté, SP: Letra Selvagem, 2014).
          Nas suas doze partes narra-se uma história que se passa no território fictício de Japará, sul da Bahia, onde a fúria gemedora dos ventos acentua o caráter desesperado de personagens envoltos na natureza bárbara do ambiente. Através  deles, o autor vai revelando dramas, opressões, ambições e misérias. Entretanto, Cyro de Mattos está isento de um estilo panfletário e adota a linguagem simples das pessoas que contam casos narrados pelos ancestrais.
           Na região do Japará, a mata hostil e impenetrável vai cedendo lugar às primeiras roças de cacau e campos de pecuária. A narrativa se desenvolve no conflito sustentado entre a dominação do fazendeiro Vulcano Brás, dono de grandes terras na região, e o vaqueiro Genaro, que busca uma vida livre e justa. Com isso, o leitor há de perceber o sinal do narrador dramático a mesclar magistralmente o real e o fantástico neste relato perturbador. Relato em que pulsam as violências de um homem faminto de poder, sempre a degradar outros homens indefesos contra seu egoísmo e impiedade.
          Nesses personagens primitivos  soube Cyro de Mattos criar uma dimensão interior com base na explosão dos dramas e misérias gerais.Os ventos gemedores é um belo romance que deve ser lido cuidadosamente para ser bem apreciado.


    Fonte: Tribuna de Petrópolis, 10 de julho de 2015, caderno Lazer, página 5, com o título  Uma novela e  outros textos.




·        Fernando Py é poeta e ensaista. Assina a coluna Literatura na Tribuna de Petrópolis, Rio. Traduzido para o  espanhol, inglês, italiano, francês e inglês. Publicou, entre outros,  os livros de poesia  Aurora de vidro, A construção e a crise e Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade.

terça-feira, 15 de setembro de 2015



Romance Os Ventos Gemedores
de Cyro de Mattos Será Lançado
Na Livraria Nobel Dia 7 de outubro

O romance Os Ventos Gemedores, de Cyro de Mattos, será lançado na Livraria Nobel, no dia 7 de outubro, a partir das 18 horas. Publicado pela Editora LetraSelvagem, de São Paulo, o livro foi lançado, em fins do ano passado,  com sessão de autógrafos, na Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos, em São Paulo, e na Academia de Letras da Bahia, em Salvador.
Os Ventos Gemedores traz posfácio da ensaísta e pesquisadora Nelly Novaes, da USP, com o título “Revisitando os Caminhos de Ficção de Cyro de Mattos,  texto que  foi extraído de seu livro Escritores Brasileiros do Século XX (Editora Letra Selvagem, Taubaté, São Paulo, 2013). O lançamento do livro na Livraria Nobel, no dia 7 de outubro, conta com o apoio da Academia de Letras de Itabuna (ALITA).

 O professor e escritor Adelto Gonçalves, doutor em Letras, da USP, no artigo “Os Ventos Gemedores: Saga do Brasil Arcaico”, publicado no jornal Pravda, da Rússia, em edição portuguesa, 8 de fevereiro de 2015 (port.pravda.ru), disse sobre o romance: : “O final deste livro conta a batalha corpo a corpo entre os jagunços de Vulcano Brás e os homens de vaqueiro Genaro e - ao contrário do que normalmente se dá na vida real - a vitória dos explorados, apesar das baixas de lado a lado. A vitória maior, porém, que se registra é da Literatura Brasileira que sai desse romance mais enriquecida.”


sábado, 12 de setembro de 2015



EDITORA DA UESC LANÇA OBRAS
 NA BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO

A Editus - Editora da UESC está marcando presença na XVII Bienal Internacional do Livro do Rio. No maior evento literário do país, o público foi presenteado com dois lançamentos no estande coletivo da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), espaço onde até o próximo dia 13 também estará expondo outras publicações do seu acervo.
Em um momento que reuniu membros e diretorias da Associação, o livro Cancioneiro do Cacau, do escritor itabunense Cyro de Mattos, foi oficialmente lançado no segundo dia de atividades do evento. A obra foi apresentada com outras três publicações do projeto editorial Coleção Nordestina, iniciativa idealizada pelas editoras que integram a ABEU Nordeste para o fomento e difusão da literatura regional. Na oportunidade, os presentes também puderam conhecer em primeira mão os livros Histórias de Alagoas e o Baixo São Francisco: o rio e o vale, publicado pela Edufal; A história das ideias de Paulo Freire e atual crise de paradigmas, da Editora da UFPB e a obra Balaios e Bem-te-vis: a guerrilha sertaneja, que chega ao público pela EDUFPI.
No dia seguinte, foi a vez de um divertido personagem despertar a curiosidade de quem passava pelo local. A história infantil Tonico descobre que é de todo lugar caiu no gosto não só da criançada, mas também dos adultos que prestigiaram a sessão de autógrafos da autora Maria Luiza Santos. Entusiasmada com a receptividade do público, ela destacou seu sentimento de realização ao contribuir para o incentivo ao hábito da leitura.
Para a professora Rita Virginia Argollo, Diretora da Editus e atual gestora da ABEU Nordeste, “lançar produções regionais em um evento do porte da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro e ver o interesse de um público tão diverso, não só projeta ainda mais os autores e a qualidade das nossas editoras, como também fortalece a Regional Nordeste dentro da ABEU.”
O livro Tonico descobre que é de todo lugar já está disponível para compra na livraria da Editus, localizada na Centro de Artes e Cultura Paulo Souto, na UESC, na livraria Nobel em Itabuna e na Papirus Livraria, em Ilhéus. Na internet, o leitor pode encontrar o título no www.livrariacultura.com.br e no www.bookpartners.com.br. Pedidos podem ser feitos pelo vendas.editus@uesc.br e pelo fone (73) 3680-5240.
Já o livro Cancioneiro do Cacau em breve estará disponível para os interessados nos principais pontos de venda.

                                                            

quinta-feira, 10 de setembro de 2015



Reinauguração da Livraria
Editus Acontecerá no Dia 19



A Livraria da Editus - Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz  está de cara nova, com mais espaço e acomodações melhores para a exposição dos livros e atendimento dos clientes. A sua reinauguração acontecerá no dia 16/09/2015, às 10h, no Centro de Artes e Cultura Paulo Souto.

Momento especial para compartilhar com a comunidade acadêmica esta novidade, a Livraria da Editus estará dando, na sua reinauguração,  destaque aos novos títulos lançados e, entre eles, o Cancioneiro do Cacau, de Cyro de Mattos, livro  inserido na Coleção Nordestina, e que foi apresentado recentemente na Bienal Internacional do Livro no Rio, no stand da  ABEU, Associação das Editoras Universitárias.

Nesta segunda edição, o livro  traz posfácio assinado por Hélio Pólvora e depoimentos  sobre a obra  de Cyro de Mattos por Graziella Corsinovi , da Universidade de Gênova, Itália, Alfredo Pérez Alencart, da Universidade de Salamanca,  Espanha,  Curt Meyer-Clason,  Carlos Drummond de Andrade, Helena Parente Cunha, Elias José, João Carlos Teixeira Gomes,  Afonso Manta e Jean-Paul Mesta, além de ilustrações de Calasans Neto e Minelvino.   

Cancioneiro do Cacau conquistou o Prêmio Nacional Ribeiro Couto, da União Brasileira de Escritores (RJ),  para livros inéditos, em 1997; Terceiro Prêmio Nacional de Poesia Emílio Moura, da Academia Mineira de Letras, 2003; Finalista do Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (SP), em 2003, e Segundo Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro do Centro Culturale Sestri Levante, Gênova, Itália, concorrendo com obras de de autores de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália e Inglaterra, entre outros países, em 2006.

domingo, 23 de agosto de 2015

Leitura Crítica de Antologia Poética de Cyro de Mattos por Juan Ángelo Torres Rechy



Antologia de Cyro de Mattos: Uma Leitura de Juan Ángel Torres Rechy, Poeta e Filólogo Mexicano, da Universidade de Salamanca, Espanha.

          
          Desde as supremas cavernas da contemplação, de um voltar à vida vivida e sonhada por quem cumpriu com humilde satisfação os deveres e objetivos profissionais e humanos, as imagens poéticas da antologia Onde Estou e Sou / Donde Estoy y Soy, do escritor brasileiro Cyro de Mattos (Itabuna, Bahia, 1939), resgatam os gritos e os murmúrios líricos que compõem o mosaico de sua essência. Com uma profunda bagagem literária (El Cid, Darío, Whitman, Neruda, etc.), Mattos entrega-se por inteiro à sorte: lança ao alto a moeda e transforma-se no espectador e na vítima deste jogo de cara ou coroa.
          O autor domina com maestria e elegância extremas a tradição literária renascentista do soneto, mas também rompe com cânones e cria gritos de vanguarda – em “Agudo Mundo”, o impulso poético transgride a sintaxe, e o lirismo deambula por ambientes surrealistas; enquanto “Galope”, de fato, expressa o som galopante de cavalos. Em seus poemas encontramos o menino que vê o mar pela primeira vez, e o homem mais velho que se detém em uma parte do caminho, escutando o retroceder de seus passos, em um turbilhão de reminiscências e fantasmas que o dilaceram. Sua terra natal. Nostalgia nas pedras. Velhos armazéns. Rios. Sim, seu rio, sua inocência, sua infância, todo aquele paraíso.
Destaca-se na poesia de Mattos um tom de íntima confissão. Uma fragilidade aberta aos disparos e abraços do mundo. Os poemas que integram esta seleção foram escolhidos entre oito livros, inscritos no conjunto de uma década profícua: cinco publicados – Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e Um Poemas de Amor e Oratório de Natal – e três inéditos – Rumores de Relva e Mar, Agudo Mundo e Devoto do Campo.
No começo da antologia encontramos o poema “Lugar”. Nele, a perspectiva do eu lírico não exalta as pessoas ou a natureza; não engrandece ou humilha com olhares satíricos ninguém; tampouco resulta horizontal, de igual para igual. Ao contrário, logo reconhecemos sua poética, que se sabe um grão no deserto, e é a partir desta pequenez que o poeta lança seu grito (que é ele mesmo) pelos telhados do mundo. A poesia, então, irriga suas veias, faz com que transcenda o tempo histórico, localizando-o em um passado povoado de mistérios. Ela realça o sentimento, valoriza-o. E nos leva a vislumbrar o sentido da vida para nosso poeta: viver o medo, as lágrimas, o beijo, o riso; ser música e sonho.
O olhar inocente do menino será diferente no homem adulto – ainda que este, para acompanhar tal olhar, necessariamente será obrigado a encarná-lo, resgatando-o com a palavra poética. “O Menino e o Rio” tem a estrutura de uma litania. O ambiente adquire um tom grave, solene, entremeado, ao mesmo tempo, por antífonas coloridas e deslumbrantes. Em “Rio Definitivo” encontramos a mesma tessitura. A descrição do rio desejado não coincide com a do opulento Amazonas/Com seu mundo de água, nem com a do transbordante Nilo e suas dádivas. Para falar do rio pelo qual anseia, Mattos recria uma composição de lugar que nos leva às vivências de sua infância. E desfia, em cada verso, um rosário de lembranças: os remansos, barrancos, trampolins; a lua e o areal; ilhas com tesouros, descobertas na penumbra; as lavadeiras nas pedras, os tropeiros e os meninos de peito nu, ao vento. Testemunhamos, assim, um caminho que percorre as galerias da vida do poeta até alcançar o “Soneto do retorno”, por exemplo, no qual a voz lírica não será mais a do menino, e sim a de um homem mais velho – precisamente do homem que regressa à terra natal, ao rio de sua infância. E cujo retorno é marcado pelo signo da Cruz.
“Cancioneiro do Cacau” é introduzido por uma nota desoladora, uma epígrafe bíblica que orienta nossa leitura: “Oh, morte, quão amarga é tua lembrança” (Eclesiástico 41:1). É amarga para um homem  em paz na vida e que  ainda pode dela retirar seus proventos. Não é uma morte que livra do sofrimento o homem necessitado, cansado e sem esperanças. Tudo passa como o vento e o poeta encontra-se à beira do vazio: Vês morte no ar fendido por bruxas,/ Aragem que na solidão despenca/ Nostalgia, gargalhar incesante/ Dos frutos já mortos (…) //Estranho não habitar mais a terra/ Dos frutos de ouro. No soneto seguinte podemos ler: Agora sob cinzas, no desamor/ Espalhado por vassouras-de-bruxa, / Calo-me sem saber para onde vou.
A voz de Mattos, em alguns momentos, transforma-se em um sussurro que nos guia ao interior deste homem em plena consciência de si mesmo. Recria a pintura dos quadros pendurados, expondo suas entranhas: Um povo e sua flor/ Dentro de mim, / Com vozes, cores, ríos. / Um povo e sua flor/ Com ventos, aves, penas. Dois outros fundamentos que sustentam sua obra, um dos quais já nos referimos brevemente, são o erotismo e o sentimento religioso. Cinco são os poemas eróticos recolhidos de Vinte e um poemas de amor, cujo título nos remete imediatamente ao livro de Neruda, publicado em 1924. Por outro lado, títulos igualmente tão significativos como “Este Cristo”, “Soneto da Paixão”, “Santa Cruz” e “Sexta-Feira Maior” nos introduzem às outras vozes e espaços do poeta amadurecido, ao mesmo tempo em que cumprem o papel de prelúdio em relação aos cinco últimos poemas da antologia, incluídos em Oratório de Natal.
O autor baiano Cyro de Mattos é advogado, jornalista, contista, romancista, cronista, poeta e organizador de antologias. Faz parte de vários Centros de Estudos, Academias e Institutos. Pertence a Ordem do Mérito da Bahia (no Grau de Comendador), é membro da União Brasileira de Escritores, tanto do Rio de Janeiro quanto de São Paulo, do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, da Academia de Letras de Ilhéus e da Academia de Letras de Itabuna, entre outros. Ganhou cerca de 40 prêmios literários, entre os quais o Prêmio APCA (1992), da Associação Paulista de Críticos de Arte, de melhor livro de literatura infantojuvenil; o Prêmio Literário Internacional Maestrale-San Marco, por Cancioneiro do Cacau; o Prêmio da Academia Brasileira de Letras; e o Prêmio Miguel de Cervantes, da Casa dos Quixotes (Rio de Janeiro), para autores em língua portuguesa.
A edição bilíngue desta nova antologia de Cyro de Mattos foi organizada e prefaciada pelo poeta e tradutor peruano Alfredo Pérez Alencart. Apresentou-a o autor desta resenha, na acolhedora tarde da quarta-feira, 02 de outubro de 2013, no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, juntamente com o Vento da tarde/Viento de la tarde, de Rizolete Fernandes, e Alma Aflita/ Alma afligida, de Álvaro Alves de Faria, durante a homenagem a Frei Luís de León, no XVI Encontro de Poetas Ibero-americanos, coordenado por Alfredo Pérez Alencart.
Por fim, Onde Estou e Sou ressalta o doce sonho romântico e azul da infância. Ao mesmo tempo é um livro da vida adulta e madura do poeta de Itabuna, que valoriza a esperança, o renascimento, e, às portas do inverno, a primavera sempre verde.  Contemplamos o homem mais velho que se detém e escuta o retroceder de seus passos no dinamismo de reminiscências,  que o arrebatam na sua essência, ferida pelo desejo das águas puras e profundas da infância.

Tradução: Vássia Silveira
Da Universidade Federal
De Santa Catarina
Fonte: www.crearensalamanca.com/antologia-de-cyro-de-m...