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terça-feira, 22 de outubro de 2013

XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos em Salamanca – Espanha




Trinta e cinco poetas de diferentes lugares: Brasil, Colombia, Uruguai, Nicarágua, Equador, México, Portugal, Bolívia, Portugal e Japão estiveram em Salamanca para homenagear Fray Luís de León durante o XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos promovido pela Fundação Cultural de Salamanca,  nos dias 2 e 3 de outubro.   A antologia “Decíamos ayer”, reunindo  poemas de cada poeta convidado, foi publicada pela Fundação Cultural de Salamanca como parte das homenagens prestadas a Fray Luís de León durante o XVI Encontro. 




 Os poetas brasileiros que figuram na antologia são  Cyro de Mattos, Álvaro Alves de Faria, Rizolete Fernandes e Paulo de Tarso Correia de Melo. 
Dentre outros atos do Encontro constou com destaque  o  lançamento dos livros “Onde Estou e Sou/Donde Estoy y Soy”, de Cyro de Mattos, “Almaflita”, de Álvaro Alves de Faria” e  “Vento da Tarde”, de Risolete Fernandes, no Centro de Estudos Brasileiros, com apresentação dos poetas e leituras de seus poemas. . Cyro de Mattos ainda participou da abertura de exposição de uma vintena de seus livros no Centro de Estudos Brasileiros. Além disso,   fez leitura do seu poema dedicado  a Fray Luís de León no Teatro  Liceu. 


Cyro de Mattos no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca.


Não  menos representativo foi o ato que teve lugar na Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca sobre a poesia colombiana no qual participaram  os poetas: Jorge Cadavid, Juan Felipe Robledo, Catalina González  e Juan Pablo Roa, apresentados na oportunidade pela  professora de Literatura Hispanoamericana da USAL, poeta Maria  Ángeles Pérez López.

O XVI  Encontro de Poesia  Iberoamericana em Salamanca teve uma convidada especial, a japonesa Satoko Tamura, poeta e  tradutora de García Márquez, Neruda e  Vallejo, entre outros.

Ela pôs um toque oriental no Encontro,  participando dos atos  vestida com o quimono. Além de ler seu poema no Teatro Liceu, pode  dar a conhecer sua obra na   Casa do Japão, onde  esteve acompanha do pintor  Miguel Elías, que manteve um  diálogo com ela e o público  para que ficasse conhecido o rico mundo poético dessa simpática poeta Satoko Tamura.  


 Satoko Tamura




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

"Vinte e Um Poemas de Amor" em Portugal


Lançamento do  livro "Vinte e Um Poemas de Amor", de Cyro de Mattos, na Casa da Escrita, da Câmara Municipal de Coimbra, Portugal, no dia 30 de setembro último. Nas fotos aparecem o poeta baiano (de Itabuna) com a Doutora Graça Capinha, da Universidade de Coimbra, que apresentou o livro, e  o editor e poeta Jorge Fragoso. 
 



domingo, 13 de outubro de 2013

Poesía bilingüe en el Centro de Estudios Brasileños


El Centro de Estudios Brasileños de la Universidad de Salamanca (Plaza de San Benito,1) acogió la presentación exclusiva de tres poemarios de autores llegados de ese país, y que han sido publicados en portugués y español. Esta actividad se encuadra dentro del XVI Encuentro de Poetas Iberoamericanos.

DE MATTOS, ALVES DE FARIA y FERNANDES

Se trata de la presentación del libro Donde Estoy y Soy (Ler Editora, Brasilia, 2013), de Cyro de Mattos; poeta que es miembro de la Academia Bahiana de Letras, su estado natal. Los otros poemarios son Alma Afligida (Trilce Ediciones, Salamanca, 2013), de Álvaro Alves de Faria, poeta nacido en Sao Paulo y que el año 2007 recibió el homenaje del X Encuentro de Poetas Iberoamericanos, entonces dedicado a Brasil; y Viento de la Tarde (Sarau das Letras/ Trilce Ediciones, 2013), de Rizolete Fernandes, poeta que viene de Natal, capital del estado de Rio Grande do Norte, en el nordeste brasileño.

TRADUCCIONES DE PÉREZ ALENCART

Los tres libros han sido traducidos al castellano por A. P. Alencart, poeta, profesor de la Usal y coordinador de los Encuentros de Poetas Iberoamericanos que organiza la Fundación Salamanca Ciudad de Cultura y Saberes. La presentación de los poemarios estuvo a cargo de Luis Frayle Delgado, Juan Ángel Torres Rechy y Montse Villar. La lectura de poemas en español estuvo a cargo de poetas y lectores salmantinos: Soledad Sánchez Mulas, María del Carmen Prada Alonso, Juan Carlos López Pinto, Jacqueline Alencar, Luis Gutiérrez y María Ángeles Moreno Plaza.

XVI Encuentro de Poetas Iberoamericanos em Salamanca, Espanha


Cyro de Mattos lê seu poema "Soneto de Fray Luís de Léon"
no Teatro Liceu de Salamanca, Espanha, durante o XVI
Encontro de Poetas Iberoamericanos; a seguir, o poeta Alfredo
Pérez Alencart faz a leitura do poema em espanhol.



“Ó Salamanca do espanto a me achar
Na morada desse sol, que é mais forte,
Flor que se sobrepõe a todo instante.”



Jorge Fragoso (Portugal), Leyendo el Poema de Antonio Salvado




sábado, 12 de outubro de 2013

Convite


União Brasileira de Escritores
Homenageia os Melhores do Ano




Como acontece todos os anos, a  União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, através de sua Diretoria, elege os melhores livros e autores do ano,  que recebem  os seus honrosos prêmios na primavera carioca, com o nome de consagrados escritores das letras brasileiras. A solenidade da entrega dos prêmios neste ano será no salão nobre da Academia  Brasileira de Letras, no dia 25, às 15 horas.
Um dos premiados nesta temporada é o escritor baiano (de Itabuna) Cyro de Mattos, que irá receber a láurea Jean Paul Mestas por seu livro “De tes instants dans le poème/De teus instantes no poema”, publicado  pelas Editions du Cygne, Paris, na coleção Poesia do Mundo, com prefácio de Margarida Fahel, professora da UESC.  O  poeta Pedro Vianna, também receberá a mesma láurea por sua versão do livro  para o francês. Com este prêmio, Cyro de Mattos alcança a marca de dez láureas concedidas pela UBE/RJ, entre livros de poesia,  literatura infantojuvenil e organização de antologia.

Eis a relação dos autores premiados neste ano e seus respectivos patronos

PRÊMIO GUILHERME DE ALMEIDA para PAULO BOMFIM PRÊMIO GUIMARÃES ROSA para FÁBIO LUCAS
PRÊMIO FERNANDO PESSOA para ANTONIO CARLOS SECCHIN
PRÊMIO CASTRO ALVES para DIEGO MENDES SOUSA
PRÊMIO MACHADO DE ASSIS para MIGUEL JORGE
PRÊMIO HENRIQUETA LISBOA para YEDA PRATES BERNIS
PRÊMIO BENEDITO NUNES para OLGA SAVARY
PRÊMIO JOÃO CABRAL DE MELO NETO para  MARCUS VINICIUS QUIROGA
PRÊMIO HERNÂNI DONATO para FERNANDO PY
PRÊMIO BARBOSA LIMA SOBRINHO para  CÍCERO SANDRONI
PRÊMIO MONTEIRO LOBATO para LAURA SANDRONI
PRÊMIO CLARICE LISPECTOR para  BEATRIZ ROSA DUTRA
PRÊMIO VINÍCIUS DE MORAES para ELISA FLORES
PRÊMIO ADONIAS FILHO para OLÍVIA BARRADAS
PRÊMIO PAULO RÓNAI para  LÍVIA PAULINI
 PRÊMIO CASSIANO RICARDO para LEILA ECHAMIÉ
PRÊMIO ZILA MAMEDE para ELIZABETH MARINHEIRO
PRÊMIO PEREGRINO JÚNIOR para NELSON PATRIOTA
PRÊMIO CLEMENTINO FRAGA para ABÍLIO KAC,
 PRÊMIO  ADÉLIA PRADO para MARIA AMÉLIA AMARAL PALLADINO
PRÊMIO MANUEL CAVALCANTI PROENÇA para IVAN CAVALCANTI PROENÇA
PRÊMIO MARGARET MEE para EVANDRA ROCHA
PRÊMIO WALMIR AYALA para JUÇARA VALVERDE
 PRÊMIO MURILO MENDES para JOSÉ SEBASTIÃO FERREIRA
 PRÊMIO CHICO BUARQUE DE HOLANDA para COLBERT HELSINBORG
 PRÊMIO FLORBELA ESPANCA para IDALINA P. A. GONÇALVES
PRÊMIO SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN para GONÇALO SALVADO
PRÊMIO JOSÉ SARAMAGO para MIGUEL BARBOSA
PRÊMIO EUGÉNIO DE ANDRADE para VICTOR OLIVEIRA MATEUS
PRÊMIO ANTÔNIO OLINTO para RONALDO CAGIANO
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Brasil Dá Largada na Feira do Livro de Frankfurt


"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora?" As palavras do escritor Luiz Ruffato foram as primeiras pronunciadas em português no palco da cerimônia de abertura, nesta terça-feira (8), da Feira do Livro de Frankfurt, que tem o Brasil como convidado de honra.
Após as boas-vindas alemãs, o discurso de Ruffato abordou a desigualdade e as injustiças sociais brasileiras, o sistema de ensino falho e a falta de acesso à leitura. "No país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes", afirmou. O autor destacou o "papel transformador da literatura", que disse o motivar a escrever. Por suas palavras, foi elogiado pelo ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, que discursou em seguida.
As críticas de Ruffato à realidade brasileira arrancaram longos aplausos do público, mas também reações exaltadas, como a do cartunista Ziraldo. "Não tem que aplaudir! Que se mude do Brasil, então!", disse de pé.
Além de Ziraldo, diversos outros nomes integrantes da comitiva de 70 autores brasileiros em Frankfurt formaram a plateia do auditório com quase duas mil pessoas, como Ruy Castro, Daniel Galera e Nélida Piñon, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL).
A atual presidente da ABL, Ana Maria Machado, fez um discurso menos político e mais poético que o de Ruffato. A escritora convidou o público alemão a mergulhar na literatura "plural, múltipla e diversa, em que os regionalismos eventuais se esgueiram pelas frestas de um cosmopolitismo inesperado". "Não venham procurar o exotismo e o pitoresco", advertiu.
Literatura e política
A abertura da passagem do Brasil como país convidado da 65ª edição da maior feira literária do mundo -- quase 20 anos após a primeira homenagem, em 1994 -- também foi marcada pela fala de figuras importantes da política brasileira e alemã.
Westerwelle ressaltou a parceria Brasil-Alemanha em termos econômicos e quanto a valores comuns – democráticos, de direitos humanos e culturais. "A presença de tantos autores brasileiros aqui na cerimônia de abertura é uma prova do valor dado à cultura pelos brasileiros. E a cultura nos une", disse.
O vice-presidente brasileiro Michel Temer também abordou questões democráticas e afirmou que o país viveu um avanço político-social nos últimos 25 anos, desde o estabelecimento da Constituição de 1988. Mas, ao tentar fugir da política e entrar no campo pessoal, Temer arrancou vaias da plateia.
"Eu mesmo publiquei um livro de poemas, que tem muito da minha infância. E até hoje não recebi nenhuma crítica por ele, nem positiva, nem negativa", disse, para surpresa dos presentes.
Já no pavilhão do Brasil, a ministra da Cultura Marta Suplicy discursou em clima de festa, ao som de música brasileira, regada a pão de queijo e caipirinha. "A feira traz apenas uma amostra de nossa maior riqueza: a cultura", disse.
Para quebrar clichês
Para o projeto Frankfurt, que abarca a feira do livro e a programação artística paralela ao evento, foram investidos 18,8 milhões de reais do governo, provenientes do Ministério da Cultura (MinC), do Ministério das Relações Exteriores, da Funarte, da Câmara Brasileira de Livros (CBL) e da Biblioteca Nacional (BN).
Renato Lessa, que assumiu a presidencia da BN em 2013, critica o modelo de financiamento atual da feira, com somente fundos governamentais. "Vale o investimento na imagem do país, mas acho que o gasto pode ser melhor distribuído, porque também é uma feira de negócios, comercial. Temos um setor privado de editores muito robusto e acho que, no futuro, devemos adotar um modelo compartilhado entre Estado e setor privado."
Lessa destacou a feira como uma oportunidade de promover a cultura brasileira, mas disse que deve haver uma continuidade de políticas públicas nesse sentido, como o programa de bolsas para a tradução de autores brasileiros da BN e parcerias com museus. O presidente da BN aposta no conteúdo dos debates a serem promovidos pelos autores brasileiros em Frankfurt nos próximos dias e também destaca a qualidade do pavilhão do país.
Com 2.500 metros quadrados, o pavilhão foi concebido por Daniela Thomas e Felipe Tassara e construído todo em papel, com paredes sinuosas em homenagem a Oscar Niemeyer e ao Modernismo brasileiro. O objetivo do espaço é mostrar um Brasil moderno e contemporâneo.
"Acho que se tem muito o estereótipo de que o Brasil é o país do samba, do futebol, é uma selva. Temos tudo isso sim, mas temos mais. Temos nossas arquitetura moderna, nossa contemporaneidade, nossa inventividade. O pavilhão e a programação tentam mostrar a produção contemporânea para além dos clichês", afirmou o curador e coordenador do Projeto Frankfurt 2013, Antônio Martinelli.
Fonte Bol Notícias (internet)

terça-feira, 8 de outubro de 2013





A Cara da Morte
                                
                                      (Crônica de Cyro de Mattos)
                             
Queria acompanhar um enterro e ver  pela primeira vez  como era que  enterravam o defunto no cemitério. O enterro às vezes passava pela rua do comércio. As pessoas cabisbaixas atrás  seguiam o caixão com o defunto, que era levado pelos homens mais jovens. Quando cansavam,  revezavam-se. Outros homens seguravam agora nas alças do caixão, e o cortejo prosseguia em silêncio na rua de chão batido. Contornava a rua do comércio, rumo ao cemitério.
 Gente parava nos passeios, tirava o chapéu em sinal de respeito ao morto,  curiosos apareciam na porta das lojas. Ficavam olhando o enterro  passar  com as  pessoas tristes. Algumas levavam flores nos braços, os parentes e amigos do morto. Quando era enterro de criança, meninos e meninas  acompanhavam o cortejo à frente do caixão,  vestidos como  anjo  num camisolão de cetim branco,  uma coroa de flores na cabeça. Tinham asas feitas com penas de galinha, presas às costas. Levavam flores alvas e cantavam canto de igreja com os pequenos corações contritos.
 A primeira  vez que vi um enterro de  criança soube então  que menino como eu também morria. Ia para o céu, claro, o padre dizia isso na missa, que Jesus gostava muito das crianças porque eram puras, não tinham os pecados de  gente grande. 
Mas o que era a morte, comecei a indagar lá em casa. A mãe falou que era uma mulher feia, mas quem acreditava em Jesus e seguia os preceitos que o filho de Deus ensinava não devia temê-la. Quando ela chegava para carregar uma pessoa  para o além, que é o outro mundo, quem  foi bom aqui nesta terra, não cometeu pecado pesado, vai  ter o seu anjo de guarda para levar a  alma para morar na casa de Nosso Senhor. Quem foi mau, cometeu os piores pecados, como matar o semelhante,  a morte leva a alma dele  para o fogo do inferno. Quem foi ora bom, ora mau, vai ser levado  para o purgatório, uma espécie de lugar onde a alma fica sofrendo pelos pecados menos pesados que cometeu  até se purificar e alcançar o perdão de Deus.
Tudo isso que a mãe explicava sobre a morte podia ter sua verdade e até me  convencia em parte  sobre o que essa mulher  feia  gostava de fazer a cada pessoa que levava para outras terras. Só não gostava quando  perguntava  se um menino  depois de morto podia voltar de novo para brincar com os amigos aqui na terra, e a mãe revelava   que nunca ninguém soube que isso já havia acontecido um dia.
-  Então a morte que vá  comer bosta de galinha! – dizia eu, fazendo com que minha mãe desse uma boa risada.
Quando perguntava ao pai o que era a morte, ele prontamente dizia que com ele a bicha imunda não viesse se fazer de prosa. A taca de couro grosso estava ali mesmo guardada no baú para dar umas boas tacadas na indesejada, se ela  algum dia entendesse de querer lhe fazer uma visita.
Sorria agora eu, satisfeito com a coragem  que o pai demonstrava para fazer correr a morte, se ousasse aparecer lá em casa. Ia receber na mesma hora  uma boa surra aplicada nas costelas dela com a taca de couro grosso.
Naquele dia resolvi acompanhar o enterro que passava pela rua do comércio com poucas pessoas. No início acompanhei de longe, precavendo-me para que algum amigo de meus pais não me visse e fosse  contar depois  o que eles certamente não  aprovariam. Ficariam zangados e me colocariam de castigo. Proibido de brincar com os amigos por vários  dias.
Quando da ladeira em que o enterro subia vagaroso se avistou o muro do cemitério, aproximei-me por trás das pessoas que participavam daquele cortejo calado, com seus ares tristes. Pouco depois, entrava com  o enterro  no cemitério, que eu via pela primeira vez e que  me deu com seus ares sombrios um frio na barriga, como nunca tinha sentido. Tímido passei os olhos pelas  galerias com muitas gavetas  tapadas com tijolos, pintadas de cal. O nome do falecido inscrito em cada gaveta. Observei capelas com retrato dos falecidos lá dentro, escultura de homens  importantes em cima dos mausoléus de mármore. Lá embaixo, a terra cheia de cruzes  indicava  covas rasas, provavelmente ali  os pobres eram enterrados. Foi para lá que o enterro se dirigiu.
A cova já estava cavada num buraco para receber o caixão com o morto.  Antes de descerem o caixão, a mulher de cabelos brancos, num vestido pobre, pediu que tirassem a tampa. Queria ver o marido pela última vez. Ela  passou a mão no rosto do morto, que estava preto feito  carvão, os olhos fechados. A mulher começou a chorar alto. Esperei que  descessem devagar o caixão no buraco, estava amarrado com cordas grossas pelas alças..O coveiro jogou depois pás de terra, que aos poucos foi enchendo o buraco. A mulher continuava a chorar alto. Comecei também a chorar e, antes que ouvissem meu choro, fui saindo dali nervoso, tropeçando nos passos.  
MORRE AOS 95 O 'SACERDOTE-ARTISTA' MESTRE DIDI,
CRIADOR DE LINGUAGEM COM RAÍZES AFRICANAS

O artista plástico, escritor, ensaísta e líder espiritual Deoscóredes Maximiliano dos Santos, popularmente conhecido como Mestre Didi, morreu em Salvador aos 95 anos. Ele foi enterrado neste domingo (6), por volta das 17h, no cemitério Jardim da Saudade, no centro da capital baiana.
O artista era famoso por representar elementos da cultura afro-brasileira em suas obras, como os orixás e os exus, temas recorrentes de suas esculturas.
Além das capacidades de escultor, Mestre Didi também era conhecido por liderar a comunidade espiritual nagô. Ele era filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, também chamada de Mãe Senhora, uma das principais mães de santo do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, de Salvador. Em 1985, ele recebeu o título de alaipini, título máximo da hierarquia sacerdotal nagô.

Mestre Didi não costumava falar sobre sua obra nem sobre si próprio. Ele chegou a expor em Gana, Senegal, Inglaterra e França, além do Guggenheim, em Nova York. No Brasil, ganhou reconhecimento após a 23.ª Bienal de São Paulo, em 1996, quando recebeu uma sala apenas para suas obras.
Era casado com a antropóloga Juana Elbein dos Santos, que o definia como um "sacerdote-artista", expressando por meio da arte sua cultura, intimamente ligada às tradições africanas. Deixa a filha, a cantora Inaicyra Falcão dos Santos.
"Estive com o Mestre Didi há três dias, ele estava acamado. Ele foi um personagem importante na Bahia, um catalisador do culto aos ancestrais, sendo filho de uma das maiores ialorixás da Bahia, a Mãe Senhora. Era um homem de grande interesse nesse universo afro-brasileiro. Foi um homem extraordinário. É uma perda irreparável, porque sem ele a religião afro-brasileira fica mais empobrecida. Como artista, ele foi muito longe, participou até da mostra 'Magiciens de la Terre', no Pompidou. Ele ganhou prestígio nacional com suas obras. Temos 40 obras dele no acervo do Museu Afro Brasil e pretendo fazer uma grande mostra em homenagem a ele. Ele foi o princípio de uma nova linguagem brasileira com profundas raízes africanas", disse Emanoel Araujo, diretor do Museu Afro Brasil.




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Escritor Baiano Eleito Membro
Titular do Pen Clube do Brasil


          O escritor baiano (de Itabuna) Cyro de Mattos foi eleito Membro Titular do Pen Clube do Brasil  e sua posse ocorrerá no dia 23 de outubro, às 17 horas, no salão nobre da entidade, na Praia do Flamengo, 172, Rio de Janeiro. A Professora Emérita Doutora Olívia Barradas proferirá o discurso de recepção ao novo membro.  A indicação do poeta  para integrar o Pen Clube do Brasil foi por iniciativa da escritora Helena Parente Cunha, Doutora em Letras e Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
        Fundado em 2 de abril de 1936, no Rio de Janeiro, por iniciativa do escritor Cláudio de Sousa, o Pen Clube  destina-se a congregar escritores do País, estimular a criação literária e a concepção universalista dos bens da cultura, da liberdade e da paz, propugnando os sentimentos que animam o P.E.N. Internacional, bem como a UNESCO, sob cujos auspícios se encontra. O Centro Brasileiro (RJ) integra o PEN Internacional, sediado em Londres, conservando-se autônomo em seus procedimentos administrativos e culturais.

         ALTO NÍVEL

          Vários membros do Pen Clube do Brasil pertencem também à Academia Brasileira de Letras. O seu presidente atual é o escritor Cláudio Aguiar. A instituição reúne um conjunto de intelectuais  do mais alto nível,  formado por escritores, poetas,  tradutores, educadores  e professores universitários, como Rubem Fonseca, Muniz Sodré, Nélida Piñon,  João Ubaldo Ribeiro, Paulo Coelho, Ana Maria Machado, Arnaldo Niskier, Carlos Heitor Cony, Carlos Nejar,  Cleonice Berardinelli, Deonísio  da Silva, Domício Proença Filho,  Edivaldo Boaventura, Eduardo Portella, Evaristo de Moraes Filho, Fábio Lucas, Fernando Gabeira,  Ivan Junqueira, Ives Gandra da Silva Martins, Ivo Barroso, Ivo Pitanguy, , Marcos Maciel, Dom Paulo Evaristo Arns, Pedro Lyra, Reynaldo Valinho Alvarez, Ricardo Cravo Albin, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Sábato Magaldi,  Silviano  Santiago, Stella Leonardos, Salgado Maranhão, Helena Parente Cunha, Olívia Barradas  e Sílvio Back.  


  PEN Clube do Brasil
  Filiado ao PEN International (Londres)
  Fundado em 2 de abril de 1936


Ofício PEN - nº 47 / 2013
 Rio de Janeiro, 1º de julho de 2013

        
Escritor Cyro de Mattos:


Tenho a satisfação de comunicar que, pela Assembleia Geral Extraordinária do PEN Clube do Brasil realizada no dia 28 de junho p. passado, Vossa Senhoria foi eleito para integrar o Quadro Social de Membros Titulares de nossa Instituição, de acordo com proposta de iniciativa da escritora Helena Parente Cunha.

Estou certo de que Vossa Senhoria encontrará no PEN uma atmosfera de convivência acolhedora e participativa que, agora, passará a contar com a sua importante presença e colaboração.

O PEN Clube do Brasil se enriquece com o seu ingresso e, em nome da Diretoria, transmito-lhe os nossos melhores votos de boas-vindas.

Informo, ainda, que sua posse poderá ocorrer dentro do prazo estatutário de 6 (seis) meses, a contar dessa data. Para maiores informações, relativas aos procedimentos de sua posse (administrativa ou solene), favor entrar em contato com a Secretaria do PEN Clube.

Atenciosas saudações,                                                                    


           

                           Cláudio Aguiar
                                                            Presidente do PEN Clube do Brasil





Praia do Flamengo, 172 – 11 º andar – Rio de Janeiro / RJ - CEP 22210-030 – Tel/Fax: (21) 2556-0461

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Escritora Maria Nadja Nunes  Participa do III ENEBI


A escritora de literatura infantil, Maria Nadja Nunes participará do III Encontro de Escritores Baianos Independentes (ENEBI) e lançará seu terceiro livro Isa Isa Isabela. A obra é uma homenagem à segunda neta, nascida em 2012.O ENEBI acontecerá nos dias 10 e 11 de outubro, na Biblioteca Pública Thales de Azevedo, na Rua Adelaide Fernandes da Costa, no Costa Azul, em Salvador/Ba.
Além de Isa Isa Isabela, Nadja apresentará os livros A menina do dente mole e A menina que tinha medo de vento, livros para um público entre 3 e 7 anos. Pedagoga e diretora da Editora da Universidade do Estado da Bahia (Eduneb), Nadja diz ter se inspirado em sua neta, chamada Júlia, nos dois primeiros livros, para compor as histórias. “Acho que há uma relação muito estreita da pedagogia com a avó. Vivi essas situações cotidianas com uma criança perto de mim”, revela.
O Encontro, que  homenageia o líder sul africano Nelson Mandela, pretende proporcionar um momento de troca de idéias, discussões e o desenvolvimento de projetos e publicações de escritores baianos. A programação conta com palestra, mesa-redonda, lançamento de livro e revista, exposição de publicações, recital poético etc.
O III ENEBI é realizado pela União Baiana de Escritores e Fundação Òmnira, com o apoio da Fundação Pedro Calmon, da Associação dos Professores Universitários da Bahia (APUB), da Cantina da Lua e do site Galinha Pulando.
Lançamento
Isa Isa Isabela também será lançado no dia 05 de outubro, na Livraria Cultura, no Salvador Shopping, e durante o Tabuleiro das Letrinhas Baianas, no dia 16 às 16h, no Shopping Itaigara, em Salvador.
Valor
Isa Isa Isabela – R$ 25
A menina que tinha medo de vento – R$ 20
A menina do dente mole – R$ 20


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Cerimônia de Posse da Academia de Letras de Itabuna- ALITA

O escritor Cyro de Mattos e sua esposa Marisa com a cineasta Raquel Rocha.









Fotos: Thiago pereira


O Clarim da Garrincha

                                  (Crônica de Cyro de Mattos)
        


                 Lá  está a garrincha com o seu clarim no alto do poste.  Escovo os dentes, tomo banho e, apressado, ainda vestido no pijama,  vou para a  sacada do apartamento. Fico ali sentado na cadeira, ouvindo o clarim da garrincha, que estridente não para de anunciar que a noite chegou ao fim. Quanto mais escuto, quero mais escutar esse aviso que ressoa nos meus ouvidos como um dos milagres operado por Deus na manhã clara. Um passarinho aceso de canto e luz matinal, tão pequeno, vestido num casaquinho marrom,  com seu clarim a vibrar contente,  todas as vezes em que  anuncia a vida perto de clarear o dia.
              Quando surge a madrugada, de azul, branco e rosa nas asas,  a garrincha logo vibra lá no alto seu clarim. Repetidas vezes, ela toca forte, enquanto o sol começa a desembarcar da carruagem de ouro, vindo lá detrás do morro, que cerca uma das partes da cidade. Todo dourado pela cauda, o sol não demora a resvalar seus raios sobre casas e prédios de minha rua. Imagino como devagar o sol, nessa hora, passa a iluminar os seres e as coisas em vários locais da cidade. As coisas que foram postas no mundo para que sejam vistas e alcançadas. Assim, na manhã  que brilha no sem fim, é que fico a escutar a garrincha tocando  seu clarim, sem me cobrar nada, numa cena bonita de ver.
          Todas as vezes que a garrincha começa a tocar seu clarim para anunciar que a noite chegou ao fim, o bem-te-vi sai de sua casa no alto da palmeira e vai pousar na  antena da televisão, instalada no telhado da casa do vizinho, em frente. De lá, ele avista os raios de sol alagando de luz a  fachada dos prédios e casas na rua. Batendo as asas, radiante canta:
               - Bem-te-vi!
               - Bem-te-vi!
               - Bem-te-vi!
               Nervosos e barulhentos, os assanhaços bicam a manhã luminosa  nos galhos do flamboyant. A rolinha faz carícias de amanhecer no companheiro que se aproxima dela.  As andorinhas dão voos ligeiros, trissam alegres na manhã banhada de luz. O beija-flor, no seu pequenino ventilador,  sai beijando, uma a uma, as flores no quintal do vizinho. Os pombos enchem o ar como naves serenas que seguem na direção do prédio de fachada amarela.  Um casal de pombos pousa no telhado da casa. Os bicos se tocam, sempre  inquietos no afeto. Nunca é de mais o arrulho seguido, nesse ritual do amor, que eles cumprem desde ontem, continuam hoje, prosseguirão amanhã e depois.
                          Havia me mudado com a família para esse novo apartamento, que dá para a nascente. É bem ventilado e iluminado,  não fica distante do centro da cidade. A rua é calma, nela passam poucas pessoas e carros. Quando era pequeno, no lugar desse bairro onde está localizado o apartamento em que agora eu moro,  havia pastos e capoeiras de uma fazenda de cacau decadente. Aqui jogava futebol com meus queridos amigos no campo improvisado; no meio do pasto, duas pedras marcavam as balizas de cada gol. Era aqui mesmo que  armava arapuca para pegar passarinho na capoeira.
           Antes de fazer a mudança para o apartamento, andava me perguntando o que era que um homem idoso como eu estava fazendo ainda neste mundo. Com setenta e quatro anos de idade, sentia-me deslocado  nesse mundo cheio de atropelos e sobressaltos, consumismo extremo, guerras inconcebíveis, desigualdades e dominações. Crimes horrendos pelo insano matador das vítimas indefesas e inocentes. Tráfico de drogas. A arte literária machucada pela onda de falsos artistas, uma gente vaidosa e compulsiva  que deturpa o que é belo, sem qualquer remorso. Arremedos de escritores e poetas tomam o lugar de quem merece aplauso e reconhecimento, ao invés do exílio e esquecimento. Ao  largo a música popular alucinante, alimentada por manadas ferozes,  feita com fácil arrumação da letra, que não suaviza a alma, não cativa nem comove. Presta-se apenas para o prazer do corpo, que balança e treme, mexe  e remexe,  na dança que não se esgota. É  a hora e a vez  da imagem e som como faces de uma linguagem que domina o social.  Perguntava-me o que  ainda eu estava  fazendo aqui, neste mundo conturbado, de gestos truculentos, políticos corruptos, resvalando sobre minhas sombras esse mal-estar que me envolve agora, desafinando-me, impiedoso,  com a natureza das coisas em constante transformação.   
                         O que se envolve em mim de luz e pluma, a cada  manhã anunciada por um pequenino músico divino, retira-me, neste instante, a tristeza de tudo que é o fim. De repente eis que estou salvo. O mundo,  que ressoa  nessa guerra lá fora,  de cada um só pensar em si, passa a ter uma visão diferente. Impele-me a olhar para ele de uma maneira agradável,  inclinado de alegria nos sons diminutos,  cantantes e brilhantes do amor.
                     Enquanto a garrincha prossegue na manhã tocando forte seu clarim.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Posse na Academia de Letras de Itabuna- ALITA


Nesta sexta as 19:00 horas A Academia de Letras de Itabuna diplomará 10 novos membros, sendo 7 efetivos e 3 membros correspondentes.

Como membros efetivos serão empossados pessoas que se destacaram em diversas áreas: Celina Santos, jornalista (Cadeira nº 24, que tem Clodomir Xavier de Oliveira como patrono); Gideon Rosa teatrólogo e jornalista (Cadeira nº 37; Patrono: Luís Gama)  a professora Maria Delile de Oliveira, educadora (Cadeira nº 28; Patrono: Firmino Rocha),  Maria Rita Dantas, também educadora (Cadeira nº 36; Patrono: José Bastos); Naomar Almeida Filho, reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (Cadeira nº 38; Patrono: Manuel Lins); Raquel Rocha, cineasta (Cadeira nº 25; Patrona: Elvira Foeppel), e Sérgio Habib, jurista (Cadeira nº 32; Patrono: Itazil Benício dos Santos). 

Na mesma sessão solene serão empossados como acadêmicos correspondentes da ALITA o professor Cristiano Lobo, o jurista Edvaldo Brito e a professora Ivete Sacramento.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Mostra Cyro de Mattos - Universidade de Salamanca


A Literatura do Sul da Bahia  
Ultrapassa Fronteiras do Brasil

A literatura do Sul da Bahia  ultrapassa as fronteiras do Brasil e ganha o mundo. No próximo dia 30 de setembro, na Casa de Escrita da Câmara Municipal de Coimbra, Portugal, o escritor Cyro de Mattos  estará autografando a edição portuguesa de seu livro “Vinte e Um Poemas de Amor”, com ilustrações da artista plástica baiana Edsoleda Santos.  Este é o terceiro livro do poeta publicado pela Editora Palimage, de Coimbra. Os outros são “Vinte Poemas do Rio”, bilíngüe, português-inglês, e “Ecológico”.
           Nos dias 2 e 3 de outubro, Cyro de Mattos estará representando a Bahia no XVI Encontro de Poetas Iberoamericanos, evento realizado na Espanha e coordenado pelo professor da Universidade de Salamanca, Alfredo Perez Alencart. Nessa edição, o Encontro reunirá 50 poetas de 12 países, entre eles México, Portugal, Espanha, Chile, Colômbia, Nicarágua, Uruguai, Argentina, Peru e Honduras. Além de Cyro de Mattos, os poetas Álvaro Alves de Faria, de São Paulo,  Paulo de Tarso e Rizolete Fernandes, do Rio Grande do Norte,  representam o Brasil no evento de repercussão internacional, que neste ano homenageará um dos maiores nomes das poesia espanhola, Fray Luís de León.      
         Durante o Encontro, uma antologia  com poemas escritos por autores convidados, entre eles Cyro de Mattos, será lançada para homenagear Fray Luís de León. “Minha poesia intitula-se Soneto de Fray Luís de León.  A antologia será publicada em 50 línguas. Essa é uma oportunidade ímpar para a cultura do nosso Estado da Bahia ultrapassar as fronteiras brasileiras e mostrar seu nível expressivo de  criatividade”, disse Cyro de Mattos.
        Na edição do XVI Encontro, haverá o lançamento de “Onde Estou e Sou”, antologia poética de Cyro de Mattos, bilíngue, com versão para o espanhol  e prólogo de Alfredo Pérez Alencart, e ainda uma exposição de livros do poeta e narrador, no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca.  A obra “Onde  Estou e Sou”  reúne poemas extraídos de “Vinte Poemas do Rio”, “Cancioneiro do Cacau”, “Ecológico”, “Vinte e Um Poemas de Amor” e “Oratório de Natal”, livros publicados, e dos inéditos “Rumores de Relva e Mar”, “Agudo Mundo” e “Devoto do Campo”. O convite para Cyro de Mattos participar do evento partiu do professor Alfredo Pérez Alencart. Os outros livros do poeta que foram editados no exterior são “Zwanzig Gedichte von Rio und andere Gedichte” (Alemanha), tradução de Curt Meyer Clason, “De tes instants dans le poème”/De teus instantes no poema”, Les Editions du Cygne, Paris, versão para o francês de Pedro Vianna, Prêmio Internacional de Poesia Jean Paul Mestas, da UBE/RJ, capa do baiano Ângelo Roberto,  “Canti della terra e dell`acqua”, Editora Romar. de Milão, e Poesie della Bahia/Poemas da Bahia”, Edfitora  Runde Taarn, de Varese, os dois últimos na Itália,  com tradução de  Mirella Abriani.