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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

 

 

Memória da Ponte Velha

Cyro de Mattos

 

Não só as cenas de tristeza, ocorrências com espanto, horror e medo, a Ponte Velha presenciara durante o tempo que existira de pé, altaneira e soberana no curso invariável do tempo, que tudo dá e toma. Acontecia também o afago do vento no rosto dos namorados, na manhã morna ou na tarde fresca. Para pessoas que moravam nos dois lados da cidade, era um corpo sólido erguido para servir sem nada exigir em troca, dotado de vigor e beleza, que funcionava como orgulho dos habitantes da pequena cidade. O professor Vilaboim, o que mais entendia da história da cidade, não tinha dúvida em afirmar que ela tinha voz oculta, boca que conversava consigo em segredo, ouvido que escutava atento aos ruídos da natureza e os gestos das pessoas. Sua alma era profunda para nas disposições interiores gravar com as fibras potentes de ferro e cimento tudo que se passava através das cenas rotineiras. Era dotada de uma magia que ninguém alcançava, nem sequer conseguia chegar perto de sua sabedoria lendária.

Um dia, os namorados chegaram de mãos dadas, debruçaram em uma das balaustradas e dali ficaram apreciando a paisagem do rio na tarde morna. As correntezas embaixo faziam espumas quando desciam no barulho por entre as pedras perto da ponte. Sustentados pela leveza dos ares, dali traçaram os sonhos com os olhos expectantes de esperança, querendo alcançar o horizonte. Um fazia carícia no outro, beijavam-se, sorriam com a felicidade estampada no rosto. 

Outras vezes vieram com o intuito de alimentar o sonho do amor no dia de verão morno. Pressentiam nas ondas do amor onde uma casa seria habitada pelos hábitos do afeto, cuidaria ela dos filhos, ele com o trabalho daria o sustento necessário para que os meninos crescessem e se tornassem um dia pessoas respeitáveis. Ele gostava de dizer a ela que uma ponte é uma ponte, uma rosa é uma rosa. A ponte servia para que fizessem a travessia sobre o rio da vida e fossem alcançar na outra margem as metas melhores. A rosa emitia fragrâncias nas horas suaves da existência, mas durava pouco. A ponte morava no pensamento, já a rosa no sentimento. Com o equilíbrio e segurança de uma mais a formosura de outra, regiam-se ambas pelos dons milagrosos da natureza e se cabiam na gramática que Deus criara para a criatura não conviver com o sentimento do nada. Tanto a ponte como a rosa reinventavam-se na proposição de cada sonho.  

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023


Coisas da Ponte Velha

        Cyro de Mattos

 

O tráfego de automóvel e carroça nem sempre fluía com desembaraço quando a travessia para um dos lados da cidade era feita através da Ponte Velha. Só podia passar um carro de cada vez, não havia espaço para transitar sobre o piso dois carros ao mesmo tempo, em direções opostas. O motorista em uma das entradas tinha que esperar que o outro saísse com o seu carro para que na sua vez pudesse adentrar na ponte. Até que acontecia o que sempre transtornava. Dois carros entravam na ponte ao mesmo tempo, um de cada lado, em posições contrárias. Quando se encontravam, paravam e ficavam impedindo o trânsito livre dos pedestres na bicicleta, que reclamavam impacientes com o impasse criado.  Gente nervosa queria seguir em frente, mas não tinha como fazê-lo por falta de espaço.  Pequeno ajuntamento de pessoas ia se formando por detrás de cada carro, do meio do aglomerado humano alguns soltavam gaiatice.

Um gritava, exasperado:

“Quero passar, antes que perca a paciência e jogue esse calhambeque no rio!”

 Cada motorista não recuava de sua posição no volante. Nenhum deles queria dar marcha a ré para desobstruir a passagem para o outro automóvel seguir em frente.

O motorista da caçamba sugeriu que fosse tirado a sorte nos dados para ver quem iria recuar primeiro o seu carro para o outro ter passagem.   O mulato com a voz rouca ganhou no jogo de dados para o motorista que tinha a barriga estufada, parecendo de mulher grávida. A solução encontrada nos lances com os dados desfazia o impasse entre o caminhão de carroceria de madeira e a caçamba carregada de areia, parados no meio da ponte. 

Um projeto municipal foi decretado no dia seguinte proibindo que carro, carroça e animal de alto porte transitassem pela Ponte Velha.

 

 

 

 

 

 


terça-feira, 10 de janeiro de 2023

 

Poema de Roberto Dinamite

Cyro de Mattos

 

Cruz de malta no coração,

Dinamite certeira nos pés,

O goleiro queria se esconder,

Daquela vez podia morrer.

 

Até as redes tremiam

Com o maior goleador,

Cada chute uma explosão

Que assombrava o torcedor.

 

Artilheiro como Roberto

No vitorioso Vasco da Gama

Outro igual pode até haver,

Outro maior não pode ter.

                           

O Vasco, gigante da colina,

Teve o Ademir Queixada,

Quanto mais fazia gol

Mais queria ser goleador.

 

Teve o Edmundo Animal,

Que tinha técnica apurada,  

Mas sua fome de artilheiro

Fez do craque um matador. 

 

Somente ele foi inimitável,  

Agora joga com os anjos,

Seu petardo ultrapassa nuvens

Fazendo cair flores do céu. 

 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

 

   Um caso difícil

    Cyro de Mattos

 

          Causava transtorno à família o vício que ela havia adquirido. Seu caso foi parar numa psicóloga, muitas sessões, não adiantou nada. O marido ficava mudando de supermercado para evitar que ela fosse flagrada com o roubo, o escândalo divulgado na mídia através do plantão policial, programa Difícil de Acreditar, do jornalista Doutor Verdade. Sua reputação de médico competente, diretor presidente da Santa Casa de Misericórdia, chefe de família honrada, seria abalada nos alicerces. Os filhos seriam atingidos com a mancha que envergonha, servindo de comentários entre os que gostam de falar da vida alheia.

               Quando ia fazer compras no supermercado, assegurando-se de que não havia ninguém por perto, tirava do carrinho cheio de compras algum dos produtos escolhidos nas prateleiras e colocava na bolsa. Claro que no caixa o objeto usurpado não seria relacionado no pagamento do que havia sido comprado. Foi flagrada pela câmara de filmar os que gostam de pegar indevidamente algum produto no supermercado quando escondia na bolsa o objeto para evitar o pagamento e aliviar com isso as despesas com as compras.  Uma cena vergonhosa que o esposo jamais pensou que haveria de enfrentar seguidas vezes. Da última vez, diante do gerente a vergonha foi tão grande que pensou até em sumir do mundo. 

         Prometeu que aquela era a última vez, não ia fazer mais isso, expor a família à situação deplorável com a notícia vexatória que poderia ser divulgada na mídia. “Mulher de médico famoso gosta de pegar o que não lhe pertence no supermercado e esconder na bolsa.” Já pensaram que escândalo! Iriam comentar nos corredores do hospital os que gostam de falar da vida alheia com uma cena saborosa como essa protagonizada pela esposa do médico famoso e diretor da Santa Casa de Misericórdia.

           De novo prometeu ao esposo que não cometeria mais esse tipo de ato deplorável, não queria emporcalhar a honra da família com procedimento indecente, pediria ajuda à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para tirar de sua vontade compulsiva aquele vício horrível de surrupiar algum produto quando fosse fazer as compras semanais no supermercado.

            O vício era mais forte. Prometia, jurava, pedia perdão ao marido, acendia vela no oratório para a santa e rezava, rogava para se livrar dessa doença infame, que espicaçava sua vontade quando ia fazer compras semanais no supermercado. O fato lastimoso se repetia. Da última vez não fosse a intervenção do marido, chamado às pressas, o caso ia parar na delegacia.  Recorreu ao psiquiatra, que depois de muito esforço à luz da ciência conseguiu interromper o seu procedimento deprimente.

            Um dia, o marido, crente que o caso houvesse sido curado, percebeu que a sua bolsa estava gorda, estufada, com algo volumoso dentro.

           - Abra a bolsa, quero ver o que está aí dentro.

            Ela em pânico.

           - Não é nada, é minha escova de cabelo e a sombrinha.

           O marido tomou-lhe a bolsa no movimento brusco. Abriu e encontrou dentro os dois quilos de carne enrolada no papel plástico.

            - Já lhe disse que não temos precisão de fazer uma coisa dessa, você não toma vergonha mesmo.

            - Prometo que essa será a última vez.

           - De novo a lenga-lenga. Trate de entregar essa carne roubada a um pobre, vá se arrepender antes que seja tarde. Quando menos esperar, você será flagrada outra vez pela câmera de filmar o movimento de gente no supermercado e não vou lhe socorrer. Você irá na viatura da polícia para prestar depoimento na delegacia.

             Em casa relutou em se desfazer da carne, oferecer a um pobre que vivia de catar lixo na rua, como o marido queria.  No dia seguinte foi buscar a carne na geladeira para preparar os bifes que seriam servidos na refeição suculenta do almoço. Desconfiou que a carne tinha sido surrupiada pela metade. Não havia dúvida, vinha desconfiando das coisas que estavam sumindo da geladeira rapidamente. Só podia ter sido a empregada,                

           Pesou a carne na balança, constatando que estava faltando quase a metade. Bem que estava desconfiando daquela cara sonsa da empregada, cheia de sorrisos e agrados quando falava com a patroa. Tinha que ser despachada por justa causa. Não era pessoa que merecesse a confiança.

           O marido:

          - Despedir? Isso não farei, nem pense.                                         

         - Por quê? Qual a razão para se manter em casa uma doméstica ladra.

        - Pelo simples fato de que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

        Com raiva nos olhos, não se conformou com o que o marido acabava de dizer, fundamentando-se em sábio provérbio popular, corrente de boca a ouvido.    

 

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

             


                     

O Grilo Sabido

Cyro de Mattos

 

Quando avisto

Um bicho maior

Que não dispensa

No seu cardápio

Almoço de grilo,

Eu fico escondido

No buraco do pau

Até passar o perigo.

Melhor ser medroso

Do que herói no prato

Como uma vez o filme

Mostrou na televisão

Com o final previsto

Anunciado no começo,

“Era uma vez um grilo.”

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

 

Pelé, Pelé, Pelé

 Cyro de Mattos                          

 

O sonho no verde,   

um trunfo no tapete,

em solos da bola

de gênio a jogada.

                                                                

Em forma sonora

pelos pés antevê

o que é ser divino

no gol de placa.

 

Maracanã, Fonte Nova,

Mário Pessoa, os palcos

 em que me vi perplexo   

com a bola encantada.

 

Olhe o que ele apronta,

até o sol sorri, até a lua,

toda ela iluminada, vem

oferecer rosas de prata.

 

O piso apesar do buraco,

Pelé é Pelé, não importa,

a vida na bola que rola

tanto canta como baila,  

 

Os melhores sentidos

Quando há um rei mágico

Não têm incompletude,

A vida se faz de beleza rara.   

 

 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

 

Eu creio nessa manha

Cyro de Mattos

 

Por que os homens

Amam a droga

E não da abelha

Os favos de mel?

 

Por que os homens

Amam as balas

E não a paz

Sem nenhum fuzil?

 

Por que os homens

Só enxergam o chão

E não a estrela

Em seus caminhos?

 

Por que os homens

Perfuram a rosa

Com a ponta aguda

E mais dura do espinho?

 

Viver amargos, sozinhos,

Viver nos escombros,

Viver na vida desigual,

É do que os homens gostam?

 

Mas eu creio nessa manhã

Anunciada pelo menino

Nascido na manjedoura.

No brilho dessa estrela                     

Espalhando o amor no chão.

 

Eu gosto de ouvir nesta hora

Essa canção que me afaga

Falando duma união geral,

Que viver vale a pena

Quando a vida é uma dança.

 

Com os homens como irmãos

No doce fruto da ternura,

No doce fruto da alegria

Sorrindo como criança.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

 

A Zanga e o Sorriso de Papai Noel

                               Cyro de Mattos

 

Barba branca, cabelos compridos, brilhantes, sedosos. Botas pretas, folgadas, cetim vistoso encarnado no vermelho.

Sorriso, abraço, ritual de arminho inocente, peito venturoso em carícia do velhinho bondoso.  

Saco enorme de brinquedos. Véspera de Natal, o shopping com suas ondas de gente, vindo pra cá, indo pra lá. Escadas rolantes, subindo, descendo. 

A cidade inteira em festa.

Guardador de ternas surpresas, a criançada em volta.

Foto, sorriso gordo, magia branca de velho pacífico.

Sorria, meu bom velhinho, sorria.

O que está acontecendo?

Nada de sorrir. Cansado do mesmo gesto, todos os anos.

Alegria para os outros, para ele não, nada de prometerem um presente para fazê-lo sorrir.

Aprisionado o célebre sorriso, rô, rô, rô...

Sem dar o abraço fraterno, aquecer o pequeno coração.

Rosto abraçado ao rancor.

Uma criança teve medo. Outra chorou. Teve uma que fugiu estabanada.

Até que uma chegou junto. Deu-lhe um abraço, fervoroso.  Um beijo.

Disse:

- Feliz Natal, Papai Noel!

Comovido. Olhos azuis aguados.

Como num berço quente.

Abraçou uma a uma.

Tirou fotos, sorriso sereno.

Rô, rô, rô...

O Natal com cheiro de estábulo.

Retomado nos ares cativantes.

Sorridentes. Festivos.  

 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

 

 

TEMPO DE NATAL

Cyro de Mattos

 

 

Ceia

 

Traga o Natal

Frutos verdes.

 

De paz e amor

Ponha na mesa.

 

Afaste a sede

Triste dos dias.

 

Na luz da estrela

Ilumine a noite

 

Do medo no escuro

E na manhã brilhe.

 

Presépio

 

Do céu dos céus

Uma estrela

Que anuncia

Só amores

Para iluminar

As pobrezas

Dessa terra.

 

Na manjedoura

Ondas embalam

O menino no berço

Feito de palha.

É Natal! É Natal!

Os bichos propagam.

 

Cantam os anjos,

Tocam os pastores

Suas doces flautas.

Os reis magos

Estão sorrindo

De pura alegria.

 

 

O Pinheiro

 

Antes triste, no canto,
Só que de repente
Como por encanto
Aparece iluminado
Com estrelinhas do céu,
Não mais que de repente
Todo aceso de Deus.

 

Manjedoura

O que mais encanta
É nascer o menino
Na poeira desse chão
Onde os bichos andam
E até hoje esse menino
Com sua luz suave
Semear grãos azuis
De amor e de paz
Na manjedoura dos ares.

 

Menino Deus

São suas as proezas

De estrela numa só mesa

De todas as mãos.

 

Historinha de Menino Jesus

 

O galo cantou,

A vaca mugiu,

O burro zurrou,

A ovelha baliu.

 

A rosa acordou,

O peixe sorriu,

A cabra contou

Que a cobra sumiu.

 

Foi tanto balão

Que subiu ao céu,

Foi tanta canção

 

 

Que ventou ao léu

Que até hoje luz

Do menino a cruz.  

 

 

 

Natal

 

Uma estrela afugenta

Da noite o medo

Que se tem das trevas.

O canto do galo

Que fere a aurora

Dessa vez é mais belo.

Num sorriso silencioso

A Virgem Maria sabe

Do amor de Deus no chão.

Da flauta dos pastores

Sai essa canção que comove.

Todos os anjos entoam

O esplendor deste amor,

Em torno do mundo

Abelhas soltam

Zumbidos de ouro.

domingo, 18 de dezembro de 2022

 

                            Emmo Duarte e Seu Porto de Esperança

                                       

                                        Cyro de Mattos

 

Nas antologias Itabuna, Chão de Minhas Raízes, Editora Oficina do Livro, Salvador, 1966, e Ilhéus de Poetas e Prosadores, Edição da Fundação Cultural da Bahia, Coleção Letras da Bahia, Salvador, 1998, incluí os trechos Uma Progressista Cidade e Doutor Corumbá, extraídos do romance Porto de Esperança, de Emmo Duarte. Ambas as antologias têm meu prefácio, notas e seleção de texto. Como o poeta Sosígenes Costa, Emmo Duarte nasceu na cidade de Belmonte, Sul da Bahia, vindo ao mundo em 30 de outubro de 1920. 

Passou sua infância em Ilhéus, foi homem de imprensa com trânsito por Salvador, Maceió, Recife e Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro onde também exerceu a advocacia.  Traduziu ensaios sobre Graham Greene, William Faulkner e o romance Os Donos do Orvalho, do haitiano Jacques Romain, um belo livro de ficção engajada, de fundo telúrico, sem distorções entre o estético e o realismo da vida como ela é, com suas verdades reveladas através de notas pungentes, cruas pinceladas da realidade exterior, tocada pelos quadros formados entre opressores e oprimidos, estes como personagens relegados ao sabor da sorte enquanto seres excluídos pela dura lei da vida.

Em Porto de Esperança, o belmontino Emmo Duarte mostra em passagens irreverentes a alma lírica da cidade de Ilhéus, conta as histórias inspiradas pelo seu antigo porto exportador de cacau para o mundo.  Em cenário bem construído, faz desfilar personagens que vivem o cotidiano da cidade, movimentada com seus navios chegando e partindo, as longas conversas nos bares, cafés, casas de mulheres e jornais. 

         O romance Porto de Esperança sugere a ambiência realista retratada nos livros A Comédia Humana, de Willian Saroyan, e Winesburg, Ohio, de Sherwood Anderson, a verdade de cada um expressa por tipos grotescos produzidos nas relações advindas do cotidiano. Focado na realidade exterior, o eixo romanesco do livro desdobra-se sem forçar as cenas marcadas de amargura, fixadas nas frustrações flagradas de uma pequena cidade com suas esperanças que se propagam como sonhos nunca alcançados.

Emmo Duarte deixou inédito o romance O Rei do Cacau e, em andamento, O País de Belmonte.

Adendo: quanto ao poeta Jacinta Passos, recomendo consultar o Portal de Poetas Ibero-Americanos editado por Antônio Miranda, que traz uma síntese biográfica da poeta baiana de Cruz das Almas, acompanhada de um conjunto de poesias, que dão uma imagem suficiente de um poeta com o estro apurado, estilo configurado nos moldes modernistas quando então o conteúdo de seus veros reveste-se de assunto do nosso folclore e do cancioneiro popular.